quarta-feira, 13 de julho de 2011

O começo do fim do hiato


Quanto mais distante o Nicolas ficava, mais estressante e confuso era o processo, pois não tínhamos a menor idéia se funcionaria qualquer tratamento com ele. A impressão que dava é que ele não falaria mais nada nunca mais, e como eu estava lendo uma série de coisas sobre autismo, só conseguia entender que autista só vive em seu mundo e não tem contato nenhum com nosso mundo. Mesmo assim, as conversas com ele todos os dias o dia inteiro, eram incessantes. Eu não desistia de falar com ele o tempo inteiro mesmo ele não me respondendo uma palavra se quer. Às vezes, doía muito eu falar com ele sem ouvir a resposta, mas como eu disse antes, eu não tinha muito tempo para chorar.

A possibilidade de lhe dar remédio era algo que me incomodava profundamente e eu não me sentia preparada a administrar nenhuma droga no meu filho. Além do medo dos efeitos colaterais, eu pensava que, já que a condição dele é uma desordem não-física, então porque medicamento? Analisava várias vertentes para ver a possibilidade de se administrar algo nele que tivesse contra indicações. Resultado da minha pesquisa: Zero possibilidades.

Então comecei a perceber que ele talvez estivesse com um problema muito mais emocional e psíquico que físico, logo o tratamento mais eficaz seria muita paciência, carinho, extrema dedicação e um amor incondicional.

Naquela época, o Alexsander ainda trabalhava naquela empresa de logística e seu salário era baixíssimo, mas o convênio valia a pena, apesar de eles descontarem o valor integral do salário do meu marido, o que fazia com que o salário fosse ainda menor. Então, por causa do convênio, ele continuou trabalhando na empresa.

Tive que dispensar alguns clientes e comecei a dar bem menos aulas só para ficar ao lado do Nicolas porque eu achava que poderia recuperá-lo a qualquer momento.

Nesta época, Deus colocou em minha vida novamente a Marcinha. Fui professora dela na época de escola e havíamos nos tornado grandes amigas, assim como aconteceu com a Cris, com o Xadú e com mais alguns ex-alunos. Mas esses ficaram na minha vida para modificar muita coisa em relação ao Nicolas.

(...)
*Leia mais no livro "Meu filho ERA autista" - informações: meufilhoeraautista@yahoo.com.br