terça-feira, 6 de setembro de 2016

Que tipo de pessoa é você?



Uma mãe acorda triste com a situação de ter um filho com autismo. Vai às redes sociais e desabafa, aquele desabafo doído... Triste, deprimida, sem entender o porquê de ter um filho assim.

* As pessoas solidárias afagam seu coração, escrevem algo edificante. Rezam para que essa mãe passe por esse dia e acorde amanhã mais forte. Tentam fazer com que ela mude de perspectiva, ao menos hoje, pois amanhã será outro dia e, com certeza, será melhor.

* As pessoas amargas criticam o fato de ela ter ido em rede social desabafar. Afinal, autismo não é um problema. Xingam e levam o assunto a outros grupos para julgarem e condenarem essa mãe. São grupos secretos, fechados, lugar ideal para que cada um destile seu veneno e passe o dia inteiro falando daquela que só precisava de um ombro amigo. Enquanto isso, seus filhos, só Deus sabe...

Uma mãe acorda feliz e conta em sua rede social tudo de bom que tem acontecido com seu filho com autismo. Ela relata as conquistas, as alegrias e tudo de melhor que tem acontecido em sua família. Dá graças a Deus por ser mãe de um “anjo azul” e agradece a Deus pelo filho que tem.

* As pessoas solidárias a parabenizam. Dizem que é uma inspiração para elas acreditarem que amanhã poderá ser melhor para elas também. Algumas, oram e agradecem por lerem algo tão bom. Outras, acreditam na mudança de perspectiva, na luta diária com resultados diários. Agradecem pelo compartilhamento e seguem suas vidas.

* As pessoas amargas levam as informações para seus comparsas e começam o julgamento. “Essa daí só fala das coisas boas! Quero ver trocar fralda do meu filho!”. “Afff, já começou o desfile da Alice, que vive no país das maravilhas!” “E lá vem a Poliana, com aquele discursinho de filho perfeito, mundo perfeito. Duvido que ela seja feliz do jeito que fala”. E passam o dia em seus perfis, bate-papo, WhatsApp etc., a destilar o veneno contra essa mãe. Enquanto isso, seus filhos, só Deus sabe...

Uma mãe pede ajuda na Internet, pois seu filhos (às vezes filhos!) com autismo está precisando de tratamentos, remédios etc. Ela teve que parar de trabalhar, o marido abandonou (ou está desempregado) e não consegue pagar as contas e cuidar do(s) filho(s).

* As pessoas solidárias ajudam, fazem vaquinhas, recolhem alimentos e remédios e mandam entregar. Escrevem palavras de conforto e fazem uma oração por essa família. Pedem, em correntes de oração, que oremos para que eles consigam sair dessa situação.

* As pessoas amargas reclamam, pois esse tipo de gente usa o autismo do filho para se fazer de coitado e que só pede. Vive na Internet pedindo as coisas, enquanto os outros estão trabalhando duro, de alguma forma, para se manter. Não é justo ter que ajudar alguém que só reclama! Por que não procura uma faxina pra fazer? Vai vender Avon! Enquanto isso, seus filhos, só Deus sabe...

Uma mãe descobre o talento de seu filho. Ele pinta muito bem! Um verdadeiro artista! Outros, escrevem, fotografam, fazem artesanato etc. São centenas de talentos. Então, ela resolve oferecer os produtos do filho na Internet para ajudar a pagar pelos tratamentos, remédios, dietas etc. Ela trabalha junto com o filho, divulga tudo na Internet e ganha uma renda extra para ajudar nos tratamentos do filho.

* As pessoas solidárias a parabenizam, afinal ela tem ajudado seu filho a desenvolver um talento e ainda tem gerenciado tudo para que não lhes falte nada. Todos sabem que não é fácil e ficam felizes de ela ser esta pessoa forte e de saber que seu filho está em boas mãos.

* As pessoas amargas, já começam com o discurso: “Ó lá, ó! Mais uma que usa o autismo do filho pra ganhar dinheiro!” E vão para seus grupos julgarem e condenarem essa mãe. Ela é uma dissimulada! Afinal de contas, aproveita do autismo do filho pra se promover. Enquanto isso, seus filhos, só Deus sabe...

Uma mãe se nega a ajudar em grupos, pois está cansada de ser atacada a cada comentário que posta tentando ajudar. Então, ela se nega a participar de grupos, não quer dar entrevista, porque sabe que será julgada, e se reclusa em sua casa, com seu filho, cuidando de tudo sozinha. Até sua página de Facebook ela já deletou!

* As pessoas solidárias sentem falta dela, mas sabem que ela estava sofrendo e que não poderia ajudar seu filho dessa maneira. Algumas, mantém contato com ela de vez em quando e sabem que ela está bem. Todos sabem que foi a melhor decisão para ela. Afinal, ela precisa estar bem para cuidar bem de seu filho.

* As pessoas amargas criticam e dizem que ela é muito egoísta. Só quer saber de seu filho e não ajuda a ninguém. Mas também, melhor assim! Quem vai querer ouvir uma pessoa que se acha melhor que as outras? Foi tarde!
Enquanto isso, seus filhos, só Deus sabe...

Uma mãe participa de grupos e tenta ajudar ao máximo. Dá entrevistas sempre que possível e trabalha pela conscientização do autismo. Se expõe e expõe seu filho, mas sabe que irá ajudar milhares de famílias.

* As pessoas solidárias, agradecem a essa mãe por cada atitude. A parabenizam por cada reportagem, cada programa de televisão ou jornal que tenha levado o autismo aos outros. São gratas a essa pessoa e sabem que isso vai ajudar, de alguma forma, a todos no futuro.

* As pessoas amargas têm o discurso pronto: “Mas esse mundo do autismo tá cheio de estrelinhas mesmo! Uma querendo aparecer mais que a outra. Usam o autismo do filho pra se promover”. E lá vão elas, para seus grupos julgarem e condenarem essa mãe... Enquanto isso, seus filhos, só Deus sabe...


Não importa o que você faça, sempre haverá uma pessoa amarga junto a outras para te detonarem. Não permita que elas destruam seu mundo! E lembre-se que sempre haverá aqueles que você ajudou. Então, não desista de suas decisões. Pense bem qual será e siga em frente, pois já é a decisão certa. E lembre-se: seu filho é o único que está sendo bem cuidado. E os filhos das pessoas amargas também colherão os frutos das árvores que você plantou e que seus amigos irrigaram. Já as pessoas amargas são combustível para as pessoas determinadas. Saiba como usar este combustível! Você pode seguir quilômetros e quilômetros, ou você pode se incendiar com ele. Cabe a nós a sabedoria de como iremos seguir nossas vidas. Eu escolho viver bem.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Tempo, persistência, fé, mudança de perspectiva...









"Tempo, persistência, fé, mudança de perspectiva... É não desejar que ele seja o que você quer, mas desejar que ele seja feliz. Do jeitinho que ele é!" - Anita Brito











Uma vez, eu postei este vídeo no Facebook (o qual eu amo!) e disse que, às vezes, me sentia assim com o Nicolas Brito Sales e o autismo. Era como se eu estivesse sempre ali, respeitando seu espaço. Porém, dava aquele medo de algo levá-lo para longe mais uma vez, afinal eu já o havia "perdido" uma vez quando ele parou de falar...
Hoje, já não sinto mais isso. Espero não estar sendo presunçosa! Sinto uma proximidade cada vez maior com meu filho e uma conexão maravilhosa. Por mais que eu saiba que irei partir um dia, sinto que ele estará bem. 

São 17 anos de luta. Para algumas mães, que estão aí há mais tempo que eu, pode parecer pouco. Para outras que começaram agora, pode parecer muito. Mas tem sido o tempo exato de eu me sentir mais tranquila. O tempo de cada uma de nós irá depender de quanto tempo demoraremos a entender a situação e a mudar nossa perspectiva. Essa tranquilidade que alcancei hoje, é uma tranquilidade que eu tive medo de nunca alcançar. Chorei, me desesperei, voltei a sorrir, desacreditei por um minuto, mas persisti! Tem sido um período de fé, de mudança de perspectiva, de acreditar nas potencialidades do meu filho. E foi há 17 anos, quando o Nicolas nasceu (antes do autismo nascer em minha vida) que sabia que apoiaria meu filho em suas escolhas. Ele não escolheu  ser autista. Ele nasceu assim. Mas as escolhas que ele fizer, mesmo apesar do autismo, estarei ao lado dele. 

O autismo pode até nos tirar algumas coisas sim, mas nos traz outras. Eu posterguei muita coisa em minha vida, e desisti de algumas também, mas não dói... Nunca doeu. Eu tenho ciência do que mudou em meus planos, mas tenho amor a tudo que me aconteceu para trazer até aqui.

Não, ainda não acabou! Ainda tenho muito o que percorrer com ele, mas já vejo o horizonte. A luz no fim do túnel, não era o trem... Era a luz que eu teria que ter seguido para chegar até aqui. Obrigada, Nicolas. Por ter seguido comigo.
Obrigada Alexsander Sales e Guilherme (Carvalho) Taylor. Aos meus pais e irmãos, sobrinhos/as e cunhados/as, aos amigos e companheiros de luta (não vou citar nomes, mas vocês sabem quem são!).
Obrigada a todos que seguiram conosco.

https://www.youtube.com/watch?v=NrgcRvBJYBE

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O bom filho à casa torna



Faxada do Centro Lumi, em Butantã, São Paulo.
 Assim que pegamos o diagnóstico do Nicolas, ele estava com 05 anos e meio, começou nossa luta para achar tratamento. Nem preciso dizer que foi em vão. O tratamento era, naquela época, inexistente. Achei na Internet o Centro Lumi, que fica no Butantã, em São Paulo. Conseguimos uma empresa para pagar pelos estudos/tratamentos do Nicolas lá e o Alexsander teve que parar de trabalhar para levar o Nicolas todos os dias na escola. Desde o primeiro dia, Nicolas já voltou diferente. Lembro-me perfeitamente que ele chegou em casa, o levamos para tomar banho e ele já foi tirando a roupa sozinho. A Lumi trabalhava exatamente da forma que acreditávamos ser a correta, então trabalhamos juntos. A escola nos ajudava e nós ajudávamos a escola.

Com pessoas muito especiais!!!
Bem, no domingo, dia 10 de julho de 2016, o Nicolas foi convidado para fazer um serviço voluntário de fotógrafo na sessão de cinema adaptada para pessoas com autismo, na Lapa-SP. Ele ficou excitadíssimo com a proposta, pois ele faria fotos e ainda poderia assistir ao filme que ele estava louco para ver: PROCURANDO DORY!
Lá, ele reecontrou as lindas Adriana e Estela, que são da Lumi e que o receberam há 11 anos. Encontrou, também, a Amanda, o Leo, o Ale e Ana Maria, que são pessoas muito especiais para ele (nós). Ele adorou revê-las! Muitas pessoas vieram tirar selfie com ele e diziam o quanto são seu fã etc. Ele foi carismático e solícito como sempre e fez um maravilhoso trabalho como fotógrafo.

E na semana passada, nos dias 12, 13 e 15 de julho de 2016, o Nicolas foi convidado a fazer as fotos do Centro Lumi para o novo site deles. Trabalho remunerado, mas o pagamento maior, foi ver a alegria do Nicolas em ir trabalhar em uma escola que ele já aluno. O garoto que um dia passou por aqueles portões sendo simplesmente um aluno, hoje foi o fotógrafo deste lugar que marcou sua vida. Lá, ele reencontrou amigos antigos e foi muito interessante, porque um de seus amigos, que não o via há 11 anos, olhou para ele e disse prontamente:
- Oi, Nicolas! Tudo bem?
E ele respondeu:
- Oi, João (nome fictício)! Tudo bem, e você?. - E eles deram as mãos, depois tiraram fotos juntos e relembraram um pouco da época que estudaram juntos. A memória deles é algo surpreendente. E olha que tenho uma memória ótima!
E após muitas emoções, recebi só elogios do Nicolas enquanto profissional. E meu coração se enche de esperança e de alegria. Estamos em uma nova fase da vida e os desafios são constantes, mas temos conseguido, juntos, quebrar barreiras e descobrir novas potencialidades deste garoto encantador que é o Nicolas. Segue, abaixo, o que os profissionais do Centro Lumi escreveram sobre o Nicolas:



Nicolas e as amigas Adriana e Estela
"Escolhemos para tirar fotos para o novo site da LUMI, um profissional mais do que especial para nós! Ele fez parte do início da nossa trajetória, e lá se vão 11 anos ...
Hoje, ele voltou como fotógrafo e tivemos o privilégio de passar três dias com esse rapaz puro, doce e educado. Com profissionalismo e sensibilidade conseguiu fazer um trabalho incrível. Enfrentou desafios como fotografar uma criança brincando com bexiga e andar de ônibus. Um grande orgulho!

Obrigada Nicolas Brito Sales."

Vale chorar de emoção, né! rsrsrs

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Este é o Nicolas Brito Sales

Esse é o Nicolas Brito Sales. Disseram-me:
* que ele jamais falaria; 
* que não trabalharia com sua imaginação, porque autista não consegue e é muito rígido; 
* que jamais se sociabilizaria;
* que a inclusão dele na escola regular seria um erro;
* que ele até iria para a escola, mas que não seria incluído de fato na turma.
* que ele nunca aprenderia...
Esse é o Nicolas, me mandando mensagem de Snapchat e brincando com seus amigos de escola. Este é o Nicolas, ser humano único e ímpar, singular e plural. Este é meu filho, aquele que os médicos desacreditaram, mas que eu acreditei, que a escola acreditou, que a família acreditou, que vocês acreditaram.
Só gratidão e orgulho.
Amo você filho! Obrigada por existir e por me fazer a pessoa mais feliz do mundo!!!!





terça-feira, 21 de junho de 2016

O homem que ele está se tornando...

Estamos assistindo à novela "Haja Coração". Para quem nos acompanha, sabe que Nicolas e eu assistimos a algumas coisas para discutirmos os fatos. Eu nunca tive tempo e nem paciência para assistir novelas, mas, com ele, é muito legal! Ele aprende demais sobre como se comportar, que não pode fazer maldade, que a mentira não presta, aprende palavras novas etc.

Hoje, o Beto, personagem antagonista, disse que o que sente pela Tancinha (personagem principal) não é amor, mas obsessão. Nicolas já logo me perguntou o que seria "obsessão", já com cara de desconfiado e sabendo que não seria coisa boa! Eu expliquei e ele me disse:
- Nossa, mas isso não pode realmente ser amor. Amor não pode ser desse jeito de obsessão. Amor tem que ser leve, igual ao que eu sinto, não é?

Após esta declaração, ele me olhou e disse que sonha com seu casamento e me contou seus sonhos em relação a isso: nome dos filhos, quantos filhos, se forem homens ou mulheres. E me disse que iria educar muito bem seus filho e que o ensinaria muitas coisas. Não sei por que, mas perguntei.
- E se seu filho nascer autista? - ele me respondeu prontamente:
- Vou fazer a mesma coisa. Não importa se ele nascer autista, com Síndrome de Down etc. e etc. Eu vou fazer a mesma coisa. Mas só não sei se vai ser mais difícil ou mais fácil. Mas só sei que vou educar igual.

Preciso refletir mais um pouquinho sobre o homem que meu filho está se tornando... Sobre os filhos que estou criando... Dá uma sensação que estou fazendo tudo certinho, mas um medo de sair alguma coisa errada.

Só agradeço a Deus e a todos que nos ajudam e nos acompanham nessa caminhada.


domingo, 3 de abril de 2016

Sobre as celebrações do dia 02 de abril

Sobre as celebrações do dia 02 de abril...

Parabéns a você que marcou suas amigas mais queridas, mas que se esqueceu de marcar outras. Isso é bom, significa que são tantas que te fazem bem que nem dá para lembrar!

Parabéns a você que compartilhou tudo o que viu sobre autismo no perfil dos outros. Você ajudou a semear informação de todas as formas.

Parabéns a você que se recusou a "celebrar este dia", pois, afinal de contas, não tem o que ser celebrado. Isso significa que você quer mais e que provavelmente fará parte das futuras mudanças.

Parabéns a você que participou de caminhadas, que vestiu azul, que mudou a foto de perfil, que mudou a foto de capa etc. Você certamente tirou este dia para ajudar a conscientizar.

Parabéns a você que nem ficou no Facebook, mas que ficou com seu bem mais precioso e trabalhou por esta pessoa tão especial de forma mais discreta.

Parabéns a você que lutou e luta todos os dias para que o preconceito fique no passado e também a você que não tem medo de colocar a cara tapa na sociedade e lutar pelos direitos do seu filho e do meu.

Parabéns a você que denuncia fakes, que alerta sobre as falcatruas e armadilhas que outros podem cair. Que briga feio porque acredita. E a você que acredita que não adianta brigar, mas fazer diferente.

Não importa como você se manifestou ontem, mas como você continuará do dia 03 de abril até o próximo dia 02 de abril. 

Obrigada a todos que fazem sua parte do jeito que querem fazer. Este é o grande presente da democracia: a liberdade! Agora, só temos que ter sabedoria para trabalharmos uns com os outros, e não uns contra os outros.

Parabéns a você que entende isso!

domingo, 27 de março de 2016

Trabalhando o sensorial - Nicolas fazendo nossa horta





Já há algum tempo que estamos trabalhando fazendo horta com o Nicolas. Tem sido ótimo, porque trabalha tantas habilidades ao mesmo tempo, que fica difícil descrever tudo. Desde que começamos, ele trabalhou cheiros, tamanhos, gostos, coordenação motora fina e grossa, aprendeu a esperar o tempo de germinação, mudança de lugar, tempo de regar, de colher e, o principal, de comer o que ele plantou e cuidou, sem agrotóxicos! Tem sido ótimo. Hoje compartilho com vocês um videozinho bobinho, mas que dá uma ideia do prazer que ele sente fazendo esta atividade.