quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nicolas dando sua primeira aula de piano

Sempre ensinamos o Nicolas com amor, paciência e com reforço positivo. Ele está com 16 anos e hoje deu sua primeira aula de piano para o primo Arthur. Tudo informal, sem pagamento. Só por amor ao primo. Achei bem interessante o tom de voz dele e a paciência, bem como o reforço positivo que ele dá ao primo. Sem contar a carinha dele conforme o primo via acertando :-) 
E vamos em frente... Sempre acreditando que eles são sim capazes de evoluir cada vez mais.


"Tudo só é 100% possível, se você tentar 100%".

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Nicolas no "Dia dos Namorados"




A minha experiência de namoro oficial é muito boa e bem legal na minha vida. Quando eu conheci a Katherine, foi uma coincidência pequena, porém foi muito bizarro!!! “Por qual motivo”?! Boa pergunta. É por que além de ela ter 22 anos de idade (com cara de 14) e ser um pouco velha para mim, ela era muito linda e simpática. Depois de tudo isso, a gente começou a sair várias vezes por mais ou menos 9 meses como somente amigos para ver no que iria dar exatamente. Quando nós começamos a namorar, a coisa ficou muito mais séria e diferente na minha vida (foi o que eu pensei). Os motivos são simples. Eu preciso fazer várias coisas com ela que eu não suporto, as vezes eu também fico muito impaciente com as coisas que eu preciso fazer por ela o que torna mais difícil, mas eu confesso que isso é muito desafiador para mim (no bom sentido) e muito importante também. 
“Mas Nicolas, onde vocês se conheceram”?!! Eu a conheci na faculdade dela quando eu estava dando uma palestra!!! Até hoje nós falamos desse dia quando tudo começou!! “Quanto tempo nós ficaremos juntos”?!! Ainda não sei, mas ela também gosta de falar sobre casamento e sobre como seria o nosso futuro. A Katherine é muito especial na minha vida, sempre falando bem sobre mim para muitas pessoas!!! Eu a amo muito e ela gosta de ter um coração azul de autista dentro dela o que faz me emocionar bastante!!!




Katherine, eu te amo! Você é muito especial para minha vida!!!

terça-feira, 9 de junho de 2015

"A Petrobrás..."

Nicolas e eu demos uma palestra motivacional estes dias e, como sempre, falei do autista no mercado de trabalho. Nestas palestras, falo que empresas internacionais já estão contratando apenas autistas para determinadas vagas. Leia um pouco aqui ou outra matéria aqui.

Quando damos palestras em empresas, as pessoas ficam abismadas com a articulação e simpatia do Nicolas. Mostramos a eles que é possível treinar funcionários tão ou mais competentes que os outros, pois, geralmente, eles têm um foco diferenciado.

Recentemente, em uma de nossas palestras, a maioria das pessoas não sabiam NADA sobre autismo. Um ou outro tinha visto "alguma coisa na novela das nove". Nicolas e eu fomos explanando sobre o quão fácil é trabalhar com um autista se entendermos suas características e como a empresa pode ter colaboradores sensacionais, pois eles são EXTREMAMENTE HONESTOS. Claro que também falamos da honestidade na hora de falar a verdade para alguém. Quer saber a verdade? Pergunte a um autista. A resposta vem na lata! "Estou bonita?" "Não!" Pronto. Mas, sobre tudo, enfatizamos a honestidade no sentido de eles não roubarem, enganarem, fofocarem etc.

Quando terminamos a palestra, uma das pessoas elogiou bastante e disse: "Eu não sabia dessa característica deles. E sabe o que eu acho? Que deveríamos colocar um Presidente autista na Petrobrás! Só assim, teríamos honestidade de fato naquele lugar."

Saí daquela palestra bem pensativa em relação a tudo isso...

Tenho ouvido com frequência que o autismo pode ser uma "evolução" da humanidade. Acredito que esse seja um ponto controverso, porque há autistas e autistas... Não podemos nos esquecer daqueles que não têm voz, que se auto agridem, que têm inúmeras comorbidades que os impendem de serem independentes. Não podemos nos esquecer que são seres humanos com habilidades e com defeitos, como qualquer outro. E claro que há aqueles que conseguem um dia florir e que surpreendem!

Não nos esqueçamos de suas capacidades, mas também não nos esqueçamos das limitações.

Existe um ditado popular muito comum que diz que "de médico e de louco, todo mundo tem um pouco". Seria melhor que todos parássemos de ser louco e que tivéssemos ao menos uma pontinha do autismo. Acredito, sim, que teríamos um mundo melhor, mais honesto e mais simples de se viver.

Muitos, por desconhecimento, acabam marginalizando os autistas, e outros, por conveniência, acabam rotulando-os de incapazes.

Seja por ignorância no assunto ou por conveniência, estamos perdendo o que eles têm de mais valioso: sua honestidade e capacidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Tipos de autismo?

Não! Não irei descrever neste post os tipos de autismo existentes, pois não sou médica e todos estão descritos (às vezes há contradições), na Internet. Qualquer pesquisa no Google te traz o assunto.

O que quero dizer neste post, da maneira mais simples possível, é que ainda há muito o que se descobrir sobre esta síndrome e não iremos chegar a lugar algum nos digladiando...

É muito comum vermos brigas na Internet por causa do autismo. Geralmente, esta briga é para ver quem sofre mais, porque seu filho é muito mais autista que o da vizinha de Facebook. Costumo dizer que quem sofre são os filhos que não têm o tempo precioso de seus familiares, que ao invés de estarem brigando na Internet, deveriam estar estimulando seus filhos e/ou se informando mais sobre o assunto.

Hoje existe apenas uma única afirmação: AINDA NÃO SABEMOS O QUE REALMENTE É O AUTISMO, O QUE REALMENTE CAUSA E QUAL É A CURA!

Existem vários estudos em andamento em todo o mundo e só vemos o número de pessoas com TEA aumentar assustadoramente. Quando o Nicolas nasceu, e comecei minhas pesquisas, e o que lia era sobre uma "doença rara"que atingia 01 a cada 10.000 crianças. Depois, o número foi aumentando e passou a ser chamada de síndrome, não mais de doença etc.

Mas tantas coisas mudaram nestes 16 anos: várias teorias, vários e-mails falsos com notícias sobre autismo, várias teorias sobre pessoas famosas (vivas ou mortas), várias mentiras...

Já disse antes que acredito na genética e em tipos de autismo. Acredito também que apesar de o DSM-V ter colocado todos em um mesmo espectro, o TEA (Transtorno do Espectro Autista), ainda aparecerão novas síndromes que hoje são diagnosticadas como autismo devido às semelhanças em certas características.

Por que acredito nisso? Aos que acompanham nossa trajetória, já viram que meu pai foi diagnosticado aos 72 anos. Leia um pouco de sua história aqui. Agora estamos em andamento com o diagnóstico de um irmão. Há problemas de saúde mental tanto do lado de minha família, quanto do lado da família de meu marido.

Outro ponto é que quando viajamos para nossas palestras, fico pesquisando, perguntando, entrevistando as famílias etc., e em TODAS as famílias que visitei no Brasil e no exterior, vejo que sempre tem pessoas na família com síndromes ou doenças mentais. O mínimo que acontece é alguém comentar que tem gente na família que parece autista, mas que ninguém aceita nem o autismo do filho(a), imagine de uma pessoa que talvez tenha um grau mais leve.

Sobre as discussões sem fim sobre as causas do autismo, é interessante ver o quanto as pessoas tentam provar que elas já sabem qual é a causa e que ninguém quer ver. Seja porque a há uma "máfia da indústria farmacêutica", seja porque elas viram na Internet, então só pode ser verdade!


Mas seria muita irresponsabilidade minha dizer que os outros estão errrados.

Imagem retirada de:
http://longidade.blogspot.com.br/2014/06/ha-ligacao-entre-vacinacao-infantil-e.html
AUTISMO E VACINAÇÃO: O primeiro caso de autismo relatado na literatura data de 1798/1799, no sul da França. Fica difícil provar, uma vez que todos os envolvidos estão mortos, mas as escritas do médico mostram um caso de autismo clássico. Outros relatos datam de muito antes de a vacinação começar e mostram que as características já estavam lá. Meu pai não foi vacinado e nem ninguém de sua família. O Nicolas mostrou os primeiros sinais de autismo desde sempre. Desde que nasceu, era muito calmo, não ligava para sair do berço, mostrava-se indiferente ao meio e não respondia bem a muito barulho e muita movimentação. Quando tomou a primeira vacina, não chorou. Aos quatro meses começou a dar um trabalho desgraçado para comer qualquer coisa. Leia um pouquinho mais aqui. Então, como posso afirmar que meu filho é autista devido à vacinação? Pelo histórico da minha família, o autismo não está relacionado com a vacina. Meu pai é autista e nunca foi vacinado. Ao visitar um grupo de militantes anti-vacinação nos Estados Unidos, eles conseguiam "provar" por A + B que o que causa o autismo é a vacinação. Mas ao lhes contar sobre meu pai, eles foram categóricos em afirmar que não poderia ser autismo. DETALHE: eles nunca viram meu pai, nunca o consultaram (aliás, nem são médicos), e não têm o histórico da minha família. A família inteira do meu pai veio do interior da Bahía, ele nasceu em 1941 e não foi vacinado. Nem ele e nem ninguém da família dele na época, incluindo sua mãe. Os anti-vacinação dizem que o mercúrio fica no organismo da mãe e contamina o filho, logo ele nasce autista, por isso eu tomei vacina e não me tornei autista, mas meu filho sim. E no caso do meu pai?

Já encontrei pessoas que dizem que a vacinação foi a causa do autismo no filho. É certo que há um número de pessoas no mundo que, ao tomar vacina, apresentam uma espécie de reação alérgica. Alguns chegam a falecer. Se as pessoas têm como provar que seus filhos eram normais até tomarem a vacina e após a vacina ficaram autistas, será que então não temos tipos de autismo? Não é mais fácil respeitar a visão do outro e saber que ainda nada está explicado definitivamente? Oras, meu filho nasceu autista! Eu vi isso na falta de interação dele com o mundo, com a falta de interesse em várias coisas que crianças têm, com a vontade maior de ficar no berço do que de sair do berço, com a obsessão por objetos giratórios desde pequeno, pelo ouvido para música desde muito novinho, pela ausência de choro desde que nasceu etc... Muito foi percebido bem antes de ele tomar a vacina.

Já me pediram para eu dar declarações afirmando que a vacina foi quem deixou meu filo autista. Não! Não foi! Eu estava lá quando ele nasceu, fui eu quem o amamentou desde o primeiro dia e acompanhei cada segundo de sua vida nos primeiros meses. Ele já era diferente... E eu já havia percebido, mas fui calada pelo pediatra e pela família, que diziam que ele era lindo. Ou seja, criança feia pode ser autista, os lindos não.

CONCLUSÃO: ainda há muito para entendermos de fato. Minha proposta é: vamos lutar para que existam cada vez mais pesquisas, mas não vamos lutar umas contra as outras. Já não basta o preconceito que vem dos outros?

MINHA OPINIÃO: autismo pode ser até muito difícil para algumas mães, mas enterrar seu filho que morreu de uma doença que já havia sido controlada pela vacinação, deve ser pior. Se eu tivesse mais 15 filhos, vacinaria os 15. Se todos "virassem" autistas, iria me virar em 15 mil para cuidar de todos. Mas chorar a morte de um deles no caixão e ter a dúvida de seu eu tivesse vacinado ele estaria aqui comigo, é um fardo que eu não conseguiria carregar. Eu sei que meu filho é mortal, mas sei também que ele só irá partir quando Deus assim achar que deve. Eu amo meu filho do jeitinho que ele é.


Foto retirada de:
http://espacodomquixote.com.br/?p=1115
AUTISMO E NUTRIÇÃO: Existem várias mães que fazem um zilhão de dietas em seus filhos: sem glúten, sem caseína, sem açúcar, sem corantes, sem um monte de outras coisas. Algumas já afirmaram para mim que deu certo com seus filhos. Já vi casos que a criança regrediu e já vi casos que a criança continua autista, só que não come um monte de coisas. Porém, eu não vivo com essas pessoas. Se elas vêm melhora no quadro de seus filhos, quem sou eu para julgar e sair metralhando na Internet? Respeito a escolha da família. Primeiro porque não está prejudicando meu filho, então por que vou eu me meter na vida dos outros? Segundo, que eles acham que estão acertando com o tratamento dos filhos. E se estão mesmo? Vou eu lá dizer que eles são loucos e liberarem tudo o que a criança quiser? e se o problema da criança realmente está ligado a alguma intolerância alimentar?

Pesquiso muito sobre autismo, mas não tenho as respostas. Porém, tenho TODAS as respostas do Nicolas, meu filho: ele nunca fez dieta alguma e tem melhorado cada vez mais. É absurdo a melhora dele dos 12 anos para cá. Absurda! Não tem quem não se espante. Mas não irei dizer que dieta não adianta de nada, mas que a dieta certamente não adiantaria para o Nicolas, porque ele não é alérgico e nem intolerante a nada.

Para quem já foi em nossas palestras, sabe que ele é louco por guloseimas, mas sabem também que ele come muito bem aqui em casa. Como há caso de obesidade na família, procuramos comer bem aqui em casa: muitos vegetais, uma quantidade equilibrada de carne vermelha, saladas sempre, pouco açúcar, pouco refrigerante, alimentos preparados em casa, pouco fast food etc. Mas isso não é por causa do autismo, mas porque todos deveriam ter uma alimentação saudável.

CONCLUSÃO: podemos afirmar que todo autista é autista por causa da alimentação? NÃO! Há casos e casos. Pare de brigar e procure o que é melhor para o seu filho. Informe-se. Pesquise. Não desista. Mas pare de brigar e de afirmar que é ou não é.

MINHA OPINIÃO: vale levar a criança a uma dieta só porque me falaram que a dieta cura? E os testes? Descubra se é isso mesmo. Se for, claro que deve ser feito a dieta para seu filho. Se não for, não faça com que ele sofra ainda mais.

Adicionar legenda
AUTISMO E MEDICAÇÃO: Primeiramente, não existe remédio para autismo. Mas existem remédios que amenizam algumas comorbidades que a criança tenha além do TEA. TDA-H, esquizofrenia, epilepsia, entre outras, podem levar a criança com autismo a ter que fazer uso de medicação.

Algumas pessoas acham que sou contra medicação, MAS NÃO SOU CONTRA! O que me incomoda é quando vejo médicos medicando crianças que estariam muito bem se estivessem sendo tratadas apenas com terapias e com estímulos. Ou, ainda, quando a mãe está "cansada"e o médico acha que acalmar o filho com uma "medicaçãozinha" não fará mal algum e dará um descanso para a mãe. Será que não seria melhor medicar a mãe? E  não estou sendo irônica nem sarcástica. É verdade! Às vezes, a mãe não está mais aguentando e precisa de uma ajuda médica. Nem sempre o remédio irá ajudar. Na maioria das vezes, o problema pode ser resolvido com atividades, terapias, exercícios etc. Às vezes, ela realmente precisa de medicação. Mas dar remédio para o filho sem uma real necessidade, na minha opinião, é um crime, pois há uma série de contra indicações que podem ter consequências seríssimas e por muito tempo.

Mas é óbvio que se a criança precisa de uma medicação, quem sou eu para dizer que não? Doenças e síndromes existem e remédios estão aí para ajudar a tratar. Mas com parcimônia! Efeitos colaterais variam de pessoa para pessoa e há casos que estes efeitos são devastadores.

 O Nicolas nunca fez uso de medicação, mesmo tendo sido prescrito para ele por psiquiatras renomados. Escolhi não dar. Mas meu filho é meu filho e eu tomo as decisões por ele enquanto for responsável por ele. Decisões essas, baseadas em estudos, pesquisas e opiniões diferentes de outros médicos e especialistas.

Alguns alegam que a medicação é para ajudar na escola. Se é só para isso, será que não seria o caso de a escola aprender a trabalhar com inclusão?

ENTÃO, DE ONDE VEM O AUTISMO? O QUE É? POR QUE É TÃO VASTO ESTE LEQUE?

Dias atrás tive uma ideia louca, que também não sei se hoje será tida como louca e absurda e daqui há 200 anos será a explicação, mas se pensarmos de um ponto de vista da evolução, temos estudos comprovando que o ser humano tem nascido com diferenças de seus ancestrais devido a registros em nossos códigos genéticos. Exemplos rápidos são os casos do apêndice e da falta de dentes caninos (não vou falar sobre este assunto aqui, tem na Internet).  Será que não estamos registrando em nosso código essa falta de capacidade de nos comunicarmos direito e essa sociabilização prejudicada depois da Internet? Talvez seja muito precoce, talvez já tenhamos a capacidade de passar geneticamente algumas coisas que não tinhamos antes?

Conjecturas e loucuras à parte, uma afirmação pode ser feita hoje: AINDA NÃO SABEMOS AO CERTO QUAIS E QUANTOS TIPOS DE AUTISMO TEMOS. Mas já sabemos que há tratamentos diversos para os diversos tipos de autismo. E o mais importante: amar incondicionalmente seu filho para que todos tenham qualidade de vida e que sejam felizes.

Resiliência é palavra da vez. Amor sempre foi!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Sou pai de um garoto autista, mas acima de tudo, sou pai!


Há quem diga que eu ainda sou um "mulecão"! Na boa? Acho que sempre serei. Gosto de dar risada alto, gosto de tirar sarro, mas mantenho respeito, e adoro me divertir com meus filhos Nicolas e Guilherme.

Fui pai muito cedo, eu tinha apenas 19 anos, mas incrível como eu sabia o que queria. Não pensei em aborto, em abandonar minha namorada, em largar tudo e sair correndo. Eu celebrei o momento em que peguei aquele teste em minhas mãos. Apesar de novo
, eu sabia que seria pai e queria muito! Só não sabia que eu seria pai de uma criança especial. Nunca imaginei.

Mas também nunca imaginei jogando bola com meu filho, ou que ele fosse médico, ou qualquer outra coisa. Não sou chegado a futebol e acho que era muito novo para ter feito planos para uma outra vida. Meu plano de vida sempre foi: viver intensamente e ser feliz. E por que não ser feliz com um filho e com a mulher que eu amava? Ah, e ainda amo!

Assim que o Nicolas nasceu, a Anny, minha esposa há 17 anos, começou a suspeitar que havia algo de errado no comportamento do Nicolas. Eu estava tão feliz em ter tido o bebê mais lindo do mundo, que não achava nada de errado. Só achava que ele era bonzinho e que estava tudo bem.

A Anny teve uma infecção após o parto e eu pensei que fosse perdê-la. Orei muito a Deus para que ele não tirasse minha esposa de mim e que guardasse a vida do nosso filho. Quem cuidou do Nicolas nos primeiros dias, foi eu com a ajuda da minha mãe e da minha sogra, porque minha esposa teve febre de 41 graus devido à infecção. Passado o susto, lá estava ela ao nosso lado.

Quando ela começou a suspeitar que nosso filho tinha algum problema, achei até que fosse delírio, mas ela já estava bem. Na minha cabeça não fazia sentido, pois, pode até parecer estranho, mas pessoas com deficiência sempre tiveram uma afinidade comigo. Onde eu chegava e tinha alguém com Síndrome de Down, autismo, ou qualquer outra deficiência ou síndrome, essas pessoas se aproximavam de mim, fosse para conversar, para abraçar ou só para ficar perto de mim. E eu não via nada no Nicolas que lembrasse as pessoas que eu já tinha tido contato.

Nos primeiros 02 anos de vida do Nicolas, neguei veementemente e não dei atenção. Mas aí começaram as provas irrefutáveis. O isolamento, a falta de comunicação, a falta de interação, a comparação com as crianças da idade dele etc. Não dava mais para negar. Confesso que senti um aperto no coração de ter deixado minha esposa sozinha nessa crença durante tanto tempo. Mas entendam, além da idade eu não entendia nada sobre autismo. Além do mais, olhar para aquele rostinho lindo todos os dias, não me deixava perceber o que estava bem diante de meus olhos.

Analisando hoje, friamente, não sei se a negação era um bloqueio ou uma fuga. Confesso não ter a resposta. Mas tenho outras certezas que me seguram firme nesta caminhada: a certeza de que eu nunca abandonaria meu filho e esposa; a certeza de que passaríamos por isso juntos; a certeza de que seríamos felizes juntos para sempre.

Apesar de todos os problemas que tivemos que enfrentar, sinto que estamos em um lugar seguro hoje e que este lugar foi construído por nós e pelas pessoas que nos apoiaram. Como diz minha esposa: VALEU A PENA!

O Nicolas é inteligente, esperto até demais, me espanta cada dia, é autista, é feliz, é lindo... O Nicolas é o cara que me mostrou o que é viver sem ter medo do amanhã. O Nicolas é meu filho. Como disse no nosso primeiro livro, tenho certeza que aprendo mais com ele do que ele comigo.

Aos pais, àqueles que ficaram ao lado de suas famílias, vou copiar minha esposa: PARABÉNS! Não é para qualquer um. Tem que amar ao outro acima de tudo. Isso é amar! Àqueles que abandonaram suas famílias por causa do autismo, fica aqui minha pena. Sinto muito, talvez você até tenha outra chance, mas essa você perdeu. Perdeu a chance de se tornar uma pessoa maior e melhor. Não os julgo, porque sei que é difícil, mas lembrem-se que a hora de amar é essa.

Obrigado à minha esposa por ter pego minha mão e não ter me deixado desabar. Obrigado ao meu filho Guilherme que, do jeito dele, tem me ajudado a descobrir cada dia mais como ser um bom pai. E obrigado ao Nicolas por ter me escolhido para ser seu pai. Sou feliz e não trocaria minha família por nada neste mundo.

Nós não curamos o Nicolas, curamos a nós mesmos!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Congresso sobre TEA e síndromes correlacionas



E o congresso está chegando! Após muita luta, muita batalha e muita generosidade por parte de muitos voluntários, tudo está tomando forma.

Nossa intenção era tê-lo feito de graça, para que todo familiar e profissional pudesse desfrutar da gama de informações que teremos de grandes palestrantes. Mas, infelizmente, não conseguimos patrocínio suficiente.

Graças a Deus, conseguimos, ao menos, deixar um preço mais acessível.

Ainda precisamos de patrocínio para cobrir as despesas. Se alguém conhecer empresas interessadas, peçam para entrarem em contanto conosco pelo e-mail congressoautismo@gmail.com.

Para inscrições e todas as informações, acesse: http://congressoautismo.wix.com/congressoautismo

Assistam a este vídeo institucional que foi feito com muito carinho pelo nosso talentoso amigo e responsável pela área de Marketing, José Eduardo.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Perdas e danos. Perdas e ganhos...

Hoje vou escrever algo que não gosto, pois não gosto de me lamentar. Mas acho que será mais um desabafo e uma tentativa de ganhar tempo para achar respostas.

O Nicolas não se apegava a ninguém. Era aquele típico autista, sem a menor vontade de se comunicar e de fazer amizades. Tentarei ser breve em alguns fatos.

Quando bem pequeno, ele tentou se apegar ao Gui, nosso filho adotivo que era somente nosso sobrinho na época. Mas o Gui é 02 anos e meio mais velho que o Nicolas e fazer amizade com um bebê e ainda por cima uma bebê "esquisito", não era bem o que um menino queria. O Nicolas tentou uma aproximação, do jeitinho dele, só imitando algumas coisas e falando coisas e sons sem nexo para o Gui, mas foi em vão. O Guilherme só reconheceu o Nicolas como irmão e como pessoa em 2013. Apesar de todo o tempo que levou, valeu a pena ter esperado para ver essa linda amizade que nasceu entre os dois. Eles se dão hiper bem e são amicíssimos! Dou graças a Deus a cada gargalhada que ouço dos dois. E isso é constante.

Depois teve aquela passagem que contei no nosso primeiro livro. O cara veio, com muito sacrifício conquistou a amizade do Nicolas, e um belo dia ele, simplesmente, sumiu! Liguei, pedi para ele vir aqui ver o Nicolas, que me perguntava se ele tinha feito algo errado... Sofri tanto aquela época. Chorei tanto... Mas o Nicolas, resiliente, inteligente e iluminado como é, superou. Eu sou um ser humano comum, ainda dói quando lembro e estou chorando agora só de escrever.

Em 2012, apareceu o nosso filho Intercambista, aquele que o Nicolas fala em todas as palestras. O Humbert veio todo tímido, 17 anos, e simplesmente decidiu que o Nicolas seria seu irmão e que autismo não seria impedimento para uma linda e pura amizade. Dá gosto de ver os dois no Skype e pessoalmente. É visível o amor que um tem pelo outro. Mas, chegou a hora do Humbert partir de volta para a França. E o Nicolas ainda sofre a falta do irmão que ele ama tanto. Ele entende que o lugar do Humbert é lá, mas queria estar mais próximo do irmão de coração dele. O lado bom, é que o Nicolas agora aceita viajar para fora do Brasil. Ele já prometeu ao irmão, que sempre deu a maior força para o Nicolas, que irá visitá-lo na França. Agora, o Nicolas já até pensa em morar fora do Brasil. Parece ser uma coisa besta, mas o Humbert conseguiu tirar do Nicolas a ideia fixa que ele tinha: "Eu nunca vou sair do Brasil. Eu não gosto de sair de casa. Eu nasci em São Paulo e tenho que morrer em São Paulo!"

Neste ano de 2014, foi o caos total! Depois que o Humbert foi embora, o Nicolas se apegou à Izabelle, de quem também já falamos aqui no blog. Ele começou a sair para o intervalo da escola, a fazer amizades, a conversar com outras pessoas etc. Mas em 2014, a Izabelle e a Fernanda, que também era amigona do Nicolas, se formaram na escola e foram embora...

Aí, as duas melhores amigas de sala dele, infelizmente, repetiram de ano. Um casal de amigos nossos, que são maravilhosos com o Nicolas, e os quais também falamos deles aqui no blog e no livro, foram embora para Curitiba. O outro casal que amamos muito e que são amigões do Nicolas, foram embora para Minas Gerais. Eram umas das poucas casas que o Nicolas ia e se sentia à vontade.

O Nicolas entende que todos estão bem, porque falamos sobre isso e sempre mostro para ele que as pessoas evoluem. Graças a Deus, ele é inteligente e entende, mas isso não apaga o que ele sente por essas pessoas. Dri, Bruno, Heitor, Vivi, Syllas e João Pedro: Vocês estão fazendo falta...

Foram tantos golpes bem na época em que ele tem se desenvolvido mais, que trouxe um monte de angústias para ele. Ele fica ansioso, mais disperso, mais trancado no quarto e o pior, voltou a se isolar no recreio da escola. Hoje, eu fui dar aula, e ele estava sentado no mesmo sofá que ele ficou por anos perto da sala dos professores.

Hoje eu chorei muito. Estou chorando agora. Mas o bom é que eu não preciso me lamentar aqui porque meu filho é autista. Só estou vendo meu filho crescer, passar por perdas inevitáveis e saber que ainda estou viva para ajudá-lo a passar por isso tudo. O que me move é que todas estas pessoas o amam muito e que precisaram ir embora, mas que sei que o amam muito. Ele não foi abandonado por elas. Me conforta saber que ele é forte para aguentar alguns trancos. Me conforta saber que essas pessoas só estão longe, mas que estão todas vivas e bem.

E me conforta mesmo, é saber que meu filho foi capaz de desenvolver sentimentos, os quais os médicos diziam que ele não teria e que ele mesmo, por anos, mostrou que não estava interessado.

É bom saber que ele se importa, que ele ama, que é amado... É bom saber que estamos passando por um episódio que qualquer outro adolescente passaria.

Estou chorando, mas estou feliz. Meu filho me faz feliz.

Te amo, filho! Muita gente te ama.