terça-feira, 9 de junho de 2015

"A Petrobrás..."

Nicolas e eu demos uma palestra motivacional estes dias e, como sempre, falei do autista no mercado de trabalho. Nestas palestras, falo que empresas internacionais já estão contratando apenas autistas para determinadas vagas. Leia um pouco aqui ou outra matéria aqui.

Quando damos palestras em empresas, as pessoas ficam abismadas com a articulação e simpatia do Nicolas. Mostramos a eles que é possível treinar funcionários tão ou mais competentes que os outros, pois, geralmente, eles têm um foco diferenciado.

Recentemente, em uma de nossas palestras, a maioria das pessoas não sabiam NADA sobre autismo. Um ou outro tinha visto "alguma coisa na novela das nove". Nicolas e eu fomos explanando sobre o quão fácil é trabalhar com um autista se entendermos suas características e como a empresa pode ter colaboradores sensacionais, pois eles são EXTREMAMENTE HONESTOS. Claro que também falamos da honestidade na hora de falar a verdade para alguém. Quer saber a verdade? Pergunte a um autista. A resposta vem na lata! "Estou bonita?" "Não!" Pronto. Mas, sobre tudo, enfatizamos a honestidade no sentido de eles não roubarem, enganarem, fofocarem etc.

Quando terminamos a palestra, uma das pessoas elogiou bastante e disse: "Eu não sabia dessa característica deles. E sabe o que eu acho? Que deveríamos colocar um Presidente autista na Petrobrás! Só assim, teríamos honestidade de fato naquele lugar."

Saí daquela palestra bem pensativa em relação a tudo isso...

Tenho ouvido com frequência que o autismo pode ser uma "evolução" da humanidade. Acredito que esse seja um ponto controverso, porque há autistas e autistas... Não podemos nos esquecer daqueles que não têm voz, que se auto agridem, que têm inúmeras comorbidades que os impendem de serem independentes. Não podemos nos esquecer que são seres humanos com habilidades e com defeitos, como qualquer outro. E claro que há aqueles que conseguem um dia florir e que surpreendem!

Não nos esqueçamos de suas capacidades, mas também não nos esqueçamos das limitações.

Existe um ditado popular muito comum que diz que "de médico e de louco, todo mundo tem um pouco". Seria melhor que todos parássemos de ser louco e que tivéssemos ao menos uma pontinha do autismo. Acredito, sim, que teríamos um mundo melhor, mais honesto e mais simples de se viver.

Muitos, por desconhecimento, acabam marginalizando os autistas, e outros, por conveniência, acabam rotulando-os de incapazes.

Seja por ignorância no assunto ou por conveniência, estamos perdendo o que eles têm de mais valioso: sua honestidade e capacidade.