quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Nossas experiências com Inclusão Escolar - Part I

Sócrates
Os questionamentos do ser humano vêm de tempos em que eu ainda nem imaginava nascer. Vêm bem antes de mim ou de você que está lendo este texto. A filosofia é a arte de amar a sabedoria e não a arte de saber tudo. O homem inteligente é aquele que aprende com as vastas experiências a ele proporcionadas e que vê em tudo um bom motivo para aprender mais e mais.

Já o tolo e a estupidez humana também estão consagrados desde que o homem se entende por gente. Uma das maiores conquistas do homem, e certamente a maior revolução histórica, foi o homem ter sentido a necessidade de migrar para outros lugares em busca de mais. Se tivessem ficado parados sempre no mesmo lugar, em busca de segurança e um certo grau de comodismo, não teríamos evoluído. Fato!

Agora chegamos à era da Internet. Tecnologia é a ordem do momento! Mas assusta a capacidade que temos em podermos estar em vários lugares ao mesmo tempo, todavia insistimos em ficar no mesmo, seja por falta de coragem, de garra, de inteligência... Assusta que ao mesmo tempo que escrevo este texto em um blog, atendo ao Skype e falo com um amigo de um outro país. Ao mesmo tempo, recebo e-mails da Colômbia, França, Estados Unidos, Reino Unido e de cidades vizinhas à minha, bem como de uma série de locais do território brasileiro. No celular, chega uma mensagem de texto, um whatsapp e uma notificação de minha outra conta de e-mail. E minhas redes sociais não param... A tecnologia nos une ao mundo inteiro, mas insistimos em nos alienar em nossas ideias já calcificadas e propagá-las em forma de lixo eletrônica para todos. Todo filósofo nasceu homem, mas, infelizmente, nem todo homem nasceu filósofo e, aí, insistem em ter certeza que já sabem de tudo. Insistem em pregar e a seguir uma "verdade" lida na página de Facebook de alguém. Ser filósofo não é saber tudo. Ser filósofo é amar o saber e querer sempre aprender mais, aceitando não haver verdades absolutas. Para crescermos e evoluirmos, precisamos saber ouvir e refletir.

Afastei-me da linha de frente porque não nasci para ser atacada por idiotas e nem tão pouco para atacá-los. Afinal, com um anjo tão lindo que tenho e uma vida inteira, vou me preocupar com quem não importa? Tenho dois filhos, marido, amigos, profissão, sonhos, erros e acertos e alguém realmente crê que eu vou gastar meu tempo com gente estúpida, que passa seu tempo na Internet para atacar todo e qualquer outro que tenha uma opinião diferente da sua? Sério mesmo? Não... Meu papel na Terra foi escrito por Deus. Foi ele quem escolheu que eu teria um filho especial, então não aceito julgo do ser humano. Só Ele pode me julgar. Aos outros, cabe me ignorar ou me aceitar, não me engolir. Se escolher me aceitar, faço-o com parcimônia. Sou só mais um mortal e não estou à procura de fama. Se escolher discordar de mim, ignore-me e viva sua vida. Cuide do que é seu que eu cuido do que é meu e viveremos felizes até nosso último suspiro sem nos incomodarmos. Afinal, para que gastar suas certezas contra mim? Se já está certo, não tem porque se fazer entender.

Quando falo de inclusão, deixo sempre claro que cada caso é um caso. Meu filho não foi "enfiado" em uma escola regular. É um trabalho conjunto de anos que tem dado muito certo. Aliás, sua inclusão no mundo começou desde que ele nasceu, então, não é tão difícil assim para nós, já que temos experiência.

Hoje, 28/08/2013, ele chegou em casa tão feliz, que nem parecia o mesmo de antes. Desde o dia 16/08/2013, ele decidiu que sairia da sala e tentaria fazer amizades na hora do intervalo. Ele conseguiu e saiu vitorioso. Desde o dia 17/08, ele mudou seu costume de sair por um portão (o qual ele insistia em sair desde que entrou nesta escola,mas que não era o mais prático). Esta foi a primeira semana que ele começou a ir para a escola e se sentir realmente feliz. Quem já viu suas palestras, sabe de suas reclamações sobre ter que estudar, mas são reclamações que quase todo adolescente neurotípico faz. Nada de "anormal"! Apesar de suas reclamações, ele sabe de suas responsabilidades e nunca foi forçado a ir para a escola. Ele entende que aquele ambiente faz parte de seu crescimento como ser humano. No próximo post falarei mais sobre suas experiências na escola, formas de avaliação e amizades.

Nicolas e Izabelle em seu primeiro dia fora da sala de aula na hora do intervalo. Izabelle está no 2º ano do Ensino Médio e é uma das maiores praticantes de inclusão da escola. Juntamente com suas amigas, principalmente a Fernanda, ela já ajudava outros alunos que fazem inclusão na escola, mesmo antes de conhecer o Nicolas.