quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CAPÍTULO 27 – Que pai maravilhoso!


Quando o Nicolas atingiu a idade escolar começaram sérias batalhas. Antes da Púrpura atacar, e ele entrar em um ostracismo de matar qualquer mãe ou pai por dentro, tentamos colocá-lo na escola quando ele estava com 03 anos. Foi um desastre!

Ele não se adaptava e não queria falar ou brincar com ninguém, mas era muito amável com a professora e os coleguinhas, pois não era um menino agressivo, só era calado. Apenas dois fatos isolados aconteceram para que ele usasse de agressividade. Em um deles, havia um menino “abençoado” na escola que era maior que os outros e também um pouco mais velho (cerca de 04 anos e alguns meses). Ele sempre mexia com todo mundo da escola e alguns alunos tinham medo dele, porque ele era aquele tipo de garoto chato que fica tirando sarro de todos os “defeitos” que cada um tem, o que não era nada mais que uma grande defesa, uma vez que ele era muito grande, com excesso de peso e cheio de manchinhas pelo rosto. Eu entendia e tinha uma certa pena dele, mas também não achava que ele deveria sair batendo em todo mundo e tirando sarro de todo mundo só para que ele pudesse ser feliz. Acredito que, para não ser agredido, ele agredia.

Até que ele resolveu mexer com o Nicolas, que estava sentado em seu canto chorando porque queria ir embora, pois ele ainda estava no primeiro mês de adaptação. De repente, esse garoto começou: “Buáááá, eu quero minha mãe! Olha como eu sou criancinha! Buááá´” e chegou o rosto bem perto do Nicolas. Então o Nicolas não teve dúvidas. Ele empurrou o garoto, que era muito maior que ele e, levando-o até a parede, começou a bater no menino. Apesar de muito maior e muito mais forte, o menino não teve reação e apanhou do Nicolas. Claro que ele virou o herói da sala.

A coordenadora da escola foi chamada e os dois foram levados à direção, aonde o Nicolas foi feliz da vida, pois ele não tinha a menor idéia do que estava acontecendo. A coordenadora deu uma bronca nos dois e disse que isso não era atitude de criança bonita e bem educada e blá, blá, blá. O Nicolas estava olhando para outra direção, então ela chamou sua atenção.

- Nicolas, olha aqui para mim. – e ele olhou e disse.

- Sim. – com a maior cara de tédio do tipo “pode falar que estou escutando, só não posso garantir que estou entendendo.”

*Leia mais no livro "Meu filho ERA autista" - informações: meufilhoeraautista@yahoo.com.br