domingo, 26 de agosto de 2012

Autismo - avanço e aceitação.
Novas etapas e novos horizontes.

O autismo só começou a ser estudado, de fato, como uma síndrome em separado, e não como um sintoma de outras doenças ou outras síndromes, a partir de 1943. Mas tais estudos só começaram a surtir um pouco de efeito na sociedade na década de 1970. Até então, o autismo ainda era tratado como um mistério, como possessão espiritual (o que ainda acontece em algumas tribos) ou como um sintoma da esquizofrenia ou da psicose. Ou ainda como uma "doença incapacitante".

A teoria da mãe geladeira também foi algo que atrapalhou, e muito, na evolução de estudos mais precisos em relação ao autismo e suas variantes. A culpa era da frieza da mãe e do distanciamento do pai em relação ao filho(a), logo, ele(a) era autista.

Recentemente, depois dos anos 2000, mais precisamente, o autismo começou a entrar no foco e, pouco a pouco, foi tomando seu espaço na sociedade.

Em nossas palestras, Nicolas e eu sempre notamos como ainda há pessoas que nunca nem ouviram falar sobre autismo e que relatam nunca terem conhecido alguém com autismo. Comum também, nos dizerem que há um filho da vizinha, ou um parente, mas que nunca têm contato, pois são sempre deixados dentro de casa pela família. O Nicolas já foi até chamado de "Embaixador do autismo",  mas a verdade e que temos vários embaixadore hoje e isso é um sinal excelente!

Meu outro filho, o Guilherme, me disse recentemente:

 - Mãe, se não fosse por você, ninguém saberia o que é autismo, né?

Expliquei a ele que, na verdade, meu trabalho é de formiguinha, mas que, assim como eu, há muitas outras pessoas lutando por seus ANJOS AZUIS. Há muito mais pessoas, hoje em dia, tendo a coragem de colocar a cara para fora e dizer:

- Meu filho É autista!
- Tenho um filho autista, com muito orgulho!
- No começo foi difícil, perdi o chão, mas agora entendi o porquê de ele(a) estar comigo e sou feliz assim.
- Às vezes desanimo... Mas aí me lembro da minha missão e sigo em frente.
- Eu sou mãe de um anjo azul.

E assim por diante...

Quase todos os dias, recebo e-mails de pessoas que leram nosso livro. Os depoimentos que recebo são de amolecer qualquer coração. As pessoas dizem o quanto têm esperança agora e que sabem que tudo dará certo. Isso não tem preço.

Nicolas e eu continuaremos contribuindo para que o mundo entenda melhor o autismo e possa, assim, conviver melhor uns com os outros. Tenho certeza de que cada vez mais, teremos mais e mais comunidades nas redes sociais, passeatas, mobilizações, cada vez mais médicos se especializando para tratar autistas e cada vez mais pais envolvidos com a causa. Tenho certeza que, cada dia mais, tudo vai melhorar e se encaixar. Saímos da idade da pedra nos anos 2.000. Em 2012, sinto-me indo em direção "à era digital" do autismo, pois sei que tudo está evoluindo: estudos, aceitação, superação, entendimento e, o mais importante, a coragem de lutar e a vontade de não mais esconder nossos anjos azuis.

Já foi vergonha ter câncer, mas passou. As pessoas diziam "aquela doença", mas não falavam "câncer". Lembram-se? Agora já foi o tempo em que ter um filho autista era motivo de vergonha ou sinônimo de fracasso. Estamos chegando à era em que ter um filho autista, ou com qualquer outro fator que o diferencie da grande massa, é sinônimo de orgulho, pois há esperança e ele é SEU FILHO.

Vamos continuar nos mobilizando e passaremos da era da mudança para a era onde todos estarão estabelecidos e que ter um filho autista será tão normal quanto ter um filho não-autista.

Parabéns a todos que estão nesta caminhada.

Um grande beijo de nossa família a todos :-)