segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Abaixe e Empurre"



Neste último sábado, 01/12/12, fomos a um show da banda do meu cunhado, tio do Nicolas, no Teatro Municipal de Osasco. O Nicolas se comportou muito bem e esperou pacientemente para vir embora. Brincou com a tia De (irmã do meu marido) e com seu esposo Denis, deu risada, comentou sobre o show, enfim. Foi uma noite muito agradável e ele estava todo satisfeito por estar em um local de adolescentes e adultos e estar se comportando de maneira adequada.

Porém, ao sairmos do teatro, havia um anúncio na porta (vide figura acima), que era para abaixar a grande maçaneta da porta e empurrá-la. O Nicolas abaixou-se, literalmente, empurrou a porta saiu. Achei estranho ele ter abaixado e perguntei a ele:

- Filho, porque você se abaixou? - e lá vem aquela carinha mais linda do mundo me respondendo:
- Ué, está escrito "Abaixe e Empurre". E foi o que eu fiz!

Todos começamos a rir, inclusive ele, que tem desenvolvido um senso de humor atípico¹, e eu expliquei a ele o real sentido do que estava escrito. 

E é mais ou menos assim que funciona a cabeça de um autista. É tudo literal. E olha que já venho explicando ao Nicolas sobre linguagem figurada e literal, metáfora, sarcasmos, palavras homônimas, parônimas, sinônimas, antônimas e etc, mas ainda assim, temos que ter o cuidado e o entendimento que ele só tem 13 anos e é verbal há menos de 05 anos, logo, ele ainda experimenta muitas coisas novas. Não dá para exigir que em cinco anos, ele tenha dominado todo o vocabulário existente e que seja mestre nas relações humanas. 

O gostoso é ver como ele leva "numa boa" as correções e se diverte com isso dando uma risadinha linda e diz: "Ahhhhhh, agora eu entendi! hehehehehe"

Essa relação com meu filho tem sido o maior aprendizado que já tive em minha vida. e olha que sou Mestre em Dialogismo!

Mas procuro mesmo, é ser Pós-doutorada em ser "boa mãe".

¹ Antigamente, o Nicolas não tinha senso de humor, porque sentia-se "burro" em relação aos outros, pois não entendia o que queriam dizer na escola ou nas reuniões familiares. Hoje em dia, ele entende perfeitamente que há diferenças na comunicação e nas relações com o ser humano. Ele não se importa mais em errar e muito menos em aprender.