quinta-feira, 3 de março de 2011

Capítulo 3

Os primeiros meses foram super tranqüilos, pois Nicolas quase não chorava. O médico me disse que, como ele nasceu muito grande, seria aconselhável dar de mamar de 03 em 03 horas.  Mas ele nunca acordou para pedir mamar. Eu é que o acordava durante a noite. Durante o dia, enquanto ele não dormia, ficava bem quietinho. Eu estava morando na casa da minha sogra, então ele recebia estímulos de todos os lados: do pai, da mãe, da avó, do avô, dos tios, do tio avô e de toda minha família e amigos que vinham visitá-lo. Todos elogiavam que ele era muito bonzinho.
- Nossa, Anita, mas ele não dá trabalho pra nada?
- Nada! O menino é um anjinho. Se não mexermos com ele, até esquecemos que tem um bebê aqui.
Ele era um bebê super calmo, mas com o passar do tempo fui percebendo que ele era calmo demais. O Nicolas não tinha cólicas (aliás, nunca teve), mas teve sua primeira otite aos dois meses. As otites e amidalites eram constantes, o que começou a nos preocupar, pois os antibióticos já não faziam mais efeito e as crises eram a cada quinze dias ou um mês.
Começou a andar super cedo, lá pelos 09 meses, mas depois de um tombo ele ficou com muito medo e parou de andar até cerca de 01 ano e 04 meses. Era só colocá-lo no chão que ele começava a gritar muito. Ele nem se mexia, só abria a boca e gritava bem alto como que dizendo “Não façam isso comigo porque eu vou cair. ALGUÉM ME AJUDA!” Os gritos eram fortes mesmo e o desespero no olhar dele era impressionante.
Quando ele tinha uns 06 meses ele olhou pra mim e me chamou de “Táta”. Foi bem estranho a forma que ele falou. Me olhando e realmente falando Táta, não era só um balbucio de neném. Mas a partir daí tudo o que ele queria ele não falava. Só fazia força com o corpo para frente e apontava onde queria ir. Nós o incentivávamos a dizer o que ele queria, mas ele sorria e continuava fazendo força com o corpo e a apontar.
Comecei a suspeitar de autismo quando ele ainda tinha alguns meses. Mas a médica disse que isso era preocupação de mãe de primeira viagem e que não nos preocupássemos, pois o nosso filho era o mais lindo que ela já tinha visto. Com este elogio, Alexsander logo me disse.
- Viu só! Eu te falei que ele é normal. Pára de falar pras pessoas que você acha que ele tem problema. O menino é lindo!
- E criança linda não pode ter problemas? Você acha que por ele ser “lindo” nada o irá afetar?
- Ai amor, pára! Você é muito teimosa. Você acha que se ele tivesse algum problema todo mundo não iria perceber? Isso é coisa da sua cabeça. Será que você não está com depressão pós-parto?
- Não! Você é louco? Se eu estivesse com depressão pós-parto eu teria uma série de outros sintomas. Bem, vamos parar com essa discussão e achar o real problema.
- O problema está na sua cabeça, amor. Pára! ELE NÃO TEM PROBLEMA NENHUM!
Cheguei em casa “P” da vida. Soltando fumaça. Mas fui me acalmando e, ao invés de continuar discutindo com meu marido, que sempre foi um anjo em minha vida, fui pesquisar sobre autismo, depressão pós-parto e Síndrome de Münchausen "by proxy", onde um parente, principalmente a mãe, acredita que seu filho está doente e mente deliberadamente sobre sintomas inxistentes. Todos percebem que a criança está bem, menos a mãe, que passa a levá-lo a hospitais e a procurar médicos insitentemtente. Algumas mães chegam a machucar seus filhos para conseguir provar que ele/a está doente. Em geral, isso serve para chamar a atenção para a mãe.
Tudo o que encontrei foram “incríveis coincidências” entre o comportamento de meu filho e tudo o que lia sobre Autismo ou Síndrome de Asperger...