quarta-feira, 16 de março de 2011

Capítulo 9

Em relação aos palavrões até hoje é bem interessante. Tinha uma música de uma banda famosa que falava dois palavrões em um pequeno trecho. O Nicolas sempre foi muito musical e, quando escutou esse rock nacional, logo gostou do ritmo. O engraçado é que, ao invés de ele cantar e falar os palavrões, uma vez que nós achávamos que ele nem sabia quais eram, ele cantava o pedaço da música e, no lugar dos palavrões ele dizia a palavra “palavrão”! Era muito engraçado, porque ele mantinha o ritmo perfeito da música e substituía os palavrões pela palavra “palavrão”.
(...)
No dia em que eu me mudei para a casa que moro hoje, eu estava limpando o chão de azulejo bem branquinho com um rodo e um pano. De repente me veio na memória aquele dia em que eu pedi a Deus para me acordar do pesadelo e que me ajudasse a melhorar as coisas. Era como seu eu tivesse sido teletransportada do barraco até os dias de hoje. Ajoelhei e chorei. Chorei alto, de soluçar e prometi a Deus que eu não o decepcionaria. Agradeci muito por meus irmãos estarem bem e por terem famílias tão abençoadas. Por meus pais estarem bem...
Naquela véspera de ano novo, que foi o dia dos palavrões, eu abracei o Nicolas bem forte e prometi a ele que isso nunca mais aconteceria.
*Leia mais no livro "Meu filho ERA autista" - informações: meufilhoeraautista@yahoo.com.br