sexta-feira, 11 de março de 2011

Capítulo 7

Outro fato é que o Nicolas nunca gostou de manter contato com outras crianças ou com grupos grandes de pessoas e tinha uma facilidade incrível para ignorar tudo o que estivesse à sua volta. A primeira vez que saímos com ele para um lugar mais agitado, ele estava com 05 meses e o levamos a uma festa onde estariam vários amigos nossos e que queriam muito conhecê-lo. Quando chegamos no local ele começou a gritar e a chorar muito, mas muito mesmo. Como ele não era de chorar eu o abracei e falei bem baixinho com ele para ele se acalmar, mas era como se ele nem estivesse me escutando. Ele gritava bem alto e tinha aquela cara de desespero que não era comum para sua idade. Então eu olhei para o meu marido e disse:
- É melhor irmos embora daqui rápido.
- Mas será que ele não está com fome? Nós acabamos de chegar, amor. Tenta acalmar ele, o pessoal ainda nem viu a carinha dele...
- Amor, você é doido! Olha esse choro, isso não é normal.
- É, realmente está exagerado. Vamos embora.
(...)
Com o passar do tempo fomos conversando com o Nicolas sobre ter paciência, sobre sair de casa porque é preciso conviver com o resto da humanidade, porque não se vive isolado dentro de casa. Sempre falávamos com ele com a maior paciência do mundo e fazíamos várias tentativas de levá-lo a vários lugares. Erramos muito porque tentamos muito. Acertamos muito porque tentamos muito... Porque sabíamos que valeria a pena lutar por nosso filho que estava renascendo. Seria tão mais cômodo aceitar que ele era autista e deixá-lo viver em seu mundo particular! Seria tão mais fácil deixá-lo bem quietinho, sem dar o menor trabalho. Mas isso nem nos passava pela cabeça, pois a vontade de vê-lo todos os dias sorrindo para nós era maior. Porque não fazia parte dos nossos planos nunca mais ouvir um “eu te amo” do nosso filho. Porque não era parte do plano de Deus deixar um de seus anjos mais especiais passar despercebido pela terra.
Essas conversas começaram a ficar mais sérias quando ele tinha quase 05 anos, que foi quando ele voltou a falar com as pessoas. Ele parou aos 3 anos e 8 meses de falar o pouco que ele falava. Foi quando atravessamos a fase mais difícil de nossas vidas. Foi quando o Nicolas quase morreu em meus braços por causa de uma doença silenciosa, rara e cruel: Púrpura de Henoch-Schoenlein.
*Leia mais no livro "Meu filho ERA autista" - informações: meufilhoeraautista@yahoo.com.br